Por entre o hermético véu,
Que minha nostalgia estampa,
Com seu misterioso abismo, tampa:
a verdade cortante;
a alegria de ser ignorante.
Vê, entenda coração,
Que o "entender" vem do Deus Imanifestado.
E não da mão de um escrivão,
E se alegra por ser um mero criado.
No seio do mundo desesperado,
O que arde é a pura misturaDo aprendido com o ensinado
Eis o Mistério em sua desenvoltura.
O que se pode dizer do mal amado,
Do Principe da Terra em seu íntimo apagado,
O poeta que sente as dores já mal afagado,
E o que dizer do mendigo celeste que medita no chão, calado?
Quem em pelo menos um dia,
Da maldade do mundo não tenha desconfiado?
É incapaz de conceber em seu cerebro atrofiado?
São cegos e me dão uma filosófica afasia!
É terrivel a verdade e a beleza da ignorância,
É como está escrito naquela mitologia,
Que Ariadne guiou, em Creta, a Teseu até o fim da Estância,
Poderíamos escrever tomos e tomos com essa analogia.
Vê, entenda coração,
Que entender vem da divindade
E não da mão de um escrivão,
E se alegra por repousar-se na possibilidade.










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