Não há poetas vivos,
Que vivem os entardereces,
Que habitam no vento,
Que sopra no seu rosto,
Que flutua entre as águas,
Que banha o seu corpo,
Que se queima no fogo,
No fogo de um finito verão,
No mundo dos poetas,
Ninguém vive nesse mundão.
No mundo dos poetas,
Não há poetas mortos!
Que morrem na alegria.
Que vergonha me resta dizer,
Ao absurdo que se inventou
Sobre o viver e o morrer.
Quando diziam a mim
Que a morte é uma noite
Eterna de glórias sem fim.
A mim era espantosamente difícil
Aceitar quantos poetas não viviam
Mas morriam para serem reconhecidos.
O belo da vida está em viver morto.
Morto pelo aroma das rosas.
Morto pela imagem de sua bela,
Descendo pelo Porto, e o poeta
Com seu rosto enxoto,
Exclama!
Sem ser ouvido de novo,
Pela mulher que ama!
Ser morto não pertencer a sociedade nenhuma.
Morrer na arte de ser Poeta,
É estar frente aos ceias e festas!
É viver por dentre o sol que baste nas frestas!
Quão sábio é morrer!
Quão lindo é viver!
Quão maravilhoso é Ser.
Quão triste é estar poeta.
Quem acaso entende o poeta?
É só ver a luz inconfundível que brota
do centro da Cruz de rosas em sua testa.
É só ouvir que de sua Voz sai em marcha uma frota.
Frota de Soldados Rebeldes do Pacifismo.
Soldados que almejam a Luz Incriada,
Porque passaste tão tempo vivendo no Abismo,
Agora quer desposar afligidamente de sua alma amada.
Quando um poeta morre e entra em seu mundo eterno,
Não morre só um poeta, morre um exército que há dentro dele.
Morre aquele que nunca viveu porque quis morrer.
Morre aquele que sempre morreu porque quis viver.
E finalmente Vive aquele que Vive porque Vive.
É uma grande lástima, observar do mundo dos poetas,
Onde todos somos um, e ninguém é alguém.
Ver poetas mortos viventes de tão confundidos que não vivem nem morrem.
Ao invés de serem Viventes mortos, ou simplesmente Ser.
Jamais entrarão no mundo dos poetas.
Não entra neste mundo o melhor poeta.
Mas aquele que morre. E vive. Incenssantemente.










0 comentários:
Postar um comentário
Vai ficar aí parado? Comenta aí